segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Prémio, Novidades e Lombinhos de Bacalhau Panados com Açorda de Tomate

Pois já foi há algum tempo que os Vagamundos tiveram a amabilidade de achar o meu humilde blog alguma coisa de jeito.

Aliás, chegaram, pasme-se, ao ponto de o achar um blog nota 10. Agradeço imenso a simpatia do prémio e peço desculpas pelo atraso na menção do dito, mas sempre que escrevia um novo post, esquecia-me de o fazer.

Mandam as regras do jogo que temos que indicar 8 características da nossa personalidade.

Pois não sei se consigo indicar tantas, mas pelo menos posso tentar:

1. Adoramos cozinhar.
2. Adoramos comer.
3. Adoramos quando nos elogiam a nossa comida.
4. Somos gulosos até mais não.
5. Adoramos andar de mota.
6. Adoramos andar de mota.
7. Adoramos andar de mota.
8. Adoramos fazer viagens planeadas no próprio dia.

Por acaso, não andamos de mota nem fazemos viagens planeadas no próprio dia há já algum tempo.

A última que fizemos na Holanda foi em Junho. Podem ler a crónica possível aqui.

A última que fizemos em Portugal foi mais simples. Levantámo-nos por volta das 11h da manhã de um Sábado, e partimos para Espanha.

- Olha lá, que horas são??
- São 11h. Porquê?? Deixa-me dormir.
- Tava aqui a pensar...
- Quê?? Deixa-me dormir, que onte deitei-me tardissimo.
- Apetece-me ir a Salamanca. Vou-me despachar.
- Não quero ir, estou cansadissima.
- Ok, vou sozinho. As espanholas agradecem.

Pronto, lá tive que me levantar. Não ia deixar o meu homem á merçê daquelas espanholas todas. Mais não seja, porque tambem lá queria ir.

Chegámos lá a horas de cear, lá para a meia-noite. Sim, eu sei que de Lisboa a Salamanca, não é preciso tanto tempo e que existem AE´s, mas o meu marido parece que não.

Almoçamos algures numa terreola no Alentejo, fomos ao castelo de Marvão, andámos por toda a parte e, eventualmente, chegámos lá.

Fomos á procura de onde dormir, uns estudantes levaram-nos a uma pensão "especializada" em estudantes. 30€ por noite.

E depois, fomos procurar onde petiscar algo. Acabámos por petiscar uma paelha e beber "unas copas con nuestros hermanos moteros".

Enfim, temos saudades destas maluqueiras. Este verão, há-de haver mais.

Quando a outros blogueiros de que gostamos, aqui vai em ordem alfabética e sem qualquer preferência:

Baunilha e Caramelo
Crónicas de um Vagamundo
Divina Gula
Flagrante Delicia
Mesa Marcada
Nouvelle Cuisine
Pssht..Ó Menina
Tertulia de Sabores

A novidade é que eu e o meu marido fomos convidados para preparar um jantar português para 70 pessoas, entre holandeses e de várias outras nacionalidades.

Vai ser um desafio daqueles, pois geralmente cozinhamos para dois ou, eventualmente, para os amigos. Mais pormenores brevemente.

E hoje o nosso jantar foi tipicamente português. Bateu uma saudadezinha, não vamos puder ir a Portugal este Natal, então matamos as saudades da forma mais saborosa possível.

E para sobremesa, comemos o que sobrou de um pão-de-ló.

E não é que ficou mesmo muito bom?? Especialmente a açorda, com muito alho e muitos coentros. Bem, experimentem e digam o que acham.




Ingredientes para os lombinhos de bacalhau para 4 pessoas:

2 postas altas de bacalhau (já demolhado)
2 dentes de alho picado
½ cebola
Sumo de limão q.b.
2 ovos
Farinha q.b.
Azeite ou óleo para fritar

Modo de Confecção:

Coza o bacalhau com meia cebola.

Retire peles e espinhas do bacalhau. Separe o bacalhau em lombos não muito pequenos.

Envolva os lombinhos de bacalhau com alho picado e regue-os com sumo de limão. Deixe o bacalhau marinar por algumas horas.

Envolva os lombinhos em farinha e em seguida em ovo. Vai a fritar em azeite ou óleo.

Quando estiverem lourinhos retire do lume.

Ingredientes para a açorda:

1 cacete francês (não há pãozinho alentejano, infelizmente)
3 a 4 ovos
Tomate pelado q.b.
7 dentes de alho
Coentros q.b.
Água q.b.
Azeite q.b.
Sal q.b.
Pimenta q.b.

Modo de Confecção:

Corte o cacete francês às fatias. Deite água (pode utilizar a água onde cozeu o bacalhau) a ferver sobre o pão, de forma a cobri-lo.

Leve ao lume para amolecer e quando estiver a consistência desejada deite o alho picado e o tomate cortado em azeite bem quente. Tempere com sal e pimenta a gosto.

Bata tudo e em seguida misture os ovos com os coentros picados. Deixe mais um minuto ao lume mexendo sempre.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Phanaeng Moo- Caril Vermelho com Porco

E ultimamente, está-me mesmo a saber bem não perder tempo na cozinha, porque o maridão está cheio de vontade de experimentar coisas novas.

Desta vez, foi um prato da cozinha tailandesa, que ficou menos picante do que eu esperava, mas com um sabor divinal.

Esperemos que a vontade não lhe passe tão depressa...



Ingredientes:

500 g de porco
Pasta de caril vermelho
2 chávenas de leite de coco
1 chávena de creme de coco
3 colheres de sopa de molho de peixe
2 colheres de sopa de açúcar mascavado
2 colheres de sopa de molho extra picante sambal olelek

Modo de Confecção:

Antes de mais, vamos tratar do porco. Vamos amaciar a carne. Eu costumo por os bifes dentro de um pano húmido e depois pego num martelo daqueles de marisco e dou-lhes umas marteladas valentes. Ficam que nem manteiga.

Depois, cortamos o porco em bifes pequenos e marinamos. Eu pus os bifinhos dentro de uma embalagem com sumo de 1/2 limão, a pasta de caril e o creme de coco. Envolvi muito bem e deixei de um dia para o outro.

Numa frigideira, adicione somente a marinada, mexendo constantemente até começar a libertar o aroma do caril. Juntar depois os bifinhos.

Manter no lume até cozinhar a carne e juntar o leite de coco e deixar ferver.

Agora aqui é que a porca torce o rabo. A receita original diz para, nesta fase, temperar com o molho de peixe e o açúcar.

Sinceramente, eu gostei mais do sabor do molho antes, só com o leite de coco. Portanto, fica ao vosso critério.

Deixar cozer até o molho reduzir e ficar espesso e servir bem quentinho.

Ingredientes para o arroz com bulgur:

1 chávenas de leite de coco
½ chávena de arroz
½ chávena de bulgur
1/2 colher de sopa de manteiga
Modo de Confecção:

Leve água q.b. a ferver com uma pitada de sal e um fio de azeite. Quando estiver a ferver, adicione o arroz e o bulgur.

Quando estiverem al dente, adicione a manteiga e leite de coco e deixe cozer até o liquido reduzir.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Frango Agridoce com Puré de Pastinacas

Tinha realmente estado a ver uma receita de frango agridoce e estava com vontade de experimentá-la, uma vez que a inspiração não era muita.

Mas o maridão estava nos seus dias e disse logo que ia tratar do jantar.

- Queres frango agridoce, é?? Ok, eu trato disso. Mas não vou usar essa receita, vou inventar qualquer coisa.
- Mas eu queria era esta receita.
- Mulheri, tu comes o que eu fizer e prontos. E até vou usar parte da receita, gosto da cena do ananaz.
- Bem, tá bem. Sempre quero ver o que é que vai sair dai.
- E digo mais, vou aproveitar para ver se aquela cena, a pastinaca, é alguma coisa de jeito. Vai lá coser meias e desampara-me a loja. Andor.

Bem, as meias já estão mesmo todas cosidas, vou mas é relaxar no sofá e já vou ver o que é que ele inventa.

.............

Hum, que cheirinho que vem da cozinha.

- Que tás fazendo, morzinho??
- Olha, marinei o frango, e agora vou fritá-lo num pouco de óleo. Acho que está a ficar bom. Qué que dizes???
- hum, que maravilha.
- É, não é?? Agora a ver é se consigo fazer alguma coisa de jeito com a pastinaca. Acho que vou fazer como se fosse puré de batata.
- Olha, é capaz de ficar bom.

E ficou mesmo bom. Diria mesmo perfeito. Que me dizem???





Ingredientes para a marinada:

2 peitos de frango cortados em cubos
3 alhos picados
1 molho de cebolinho picado
1 colher de café de gengibre picado
Sumo de ½ limão
2 colheres de sopa de molho de soja

Coloque todos os ingredientes numa tigela, envolva bem e deixe a marinar umas horas. De preferência de um dia para o outro.

Modo de Confecção:Ingredientes para o frango agridoce:

Óleo para Wok
Cardamomo
Aniz estrelado
A marinada

Modo de Confecção:

Leve o óleo a aquecer num Wok. Quando estiver quente, adicione o cardamomo e o aniz estrelado.

Deixe por 2m e depois retire-os do óleo. O óleo ficou perfumado com o cardamomo e o aniz.

Retire o Wok do lume e adicione o frango e a marinada. Envolva bem e leve novamente ao lume.

Quando o frango estiver tenrinho, retire do lume e reserve.

Ingredientes para os pimentos salteados:

Óleo para Wok
½ pimento vermelho
½ pimento amarelo
½ pimento verde

Modo de Confecção

Corte os pimentos em tirinhas finas.

Leve o óleo a aquecer. Quando estiver quente, adicione os pimentos e salteie.

Quando os pimentos estiverem tenrinhos, adicione ao frango, envolva bem e leve ao lume por 2m. Reserve.

Ingredientes para o ananaz:

Óleo para Wok
3 rodelas de ananaz em calda cortadas em triângulos
Calda do ananaz q.b.
2 ½ colheres de sopa de açucar mascavado

Modo de Confecção

Leve o óleo a aquecer.

Quando estiver quente, adicione o ananaz.

Passados 2m, adicione o açucar e envolva bem.

Passados 5m, adicione a calda do ananaz.

Deixe o molho espessar e reduzir um pouco. Reserve.

Ingredientes para o puré de pastinacas:

1 pastinaca
2 gemas
1 chávena de leite de soja morno
1 casca de limão
2 colheres de sopa de manteiga
Sal q.b.
Pimenta q.b.
Noz-moscada q.q

Modo de Confecção

Leve as pastinacas a cozer em água com um pouco de sal, depois de descascadas e cortadas em cubos.

Quando estiverem cozidas, escorra-as e passe imediatamente pelo passador.

Ponha o puré num tacho, adicione as 2 gemas e a manteiga e bata energicamente com uma colher de pau.

Quando estiver completamente absorvida, adicione aos poucos o leite e envolva bem.

Tempere com sal, pimenta e noz-moscada.

Leve ao lume durante 2m. Reserve.

Montagem:

Faça uma base com o frango e sobre este, o ananaz.

Ao lado do frango, o puré de pastinacas.

Decore com cebolinho e com o molho do ananaz.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Chili com Carne

Fiz esta receita porque quando andava a arrumar a cozinha, encontrei lá bem por detrás dos tachos uma embalagem perdida de feijão preto.

O meu marido sabia fazer a receita, então fui pedir-lhe que me explicasse. A resposta foi típica.

- Bem, para fazeres chili com carne, há que ter em atenção duas coisas muito importantes e que são fundamentais para que a receita saia bem. Primeiro, precisas de chili e segundo, precisas de carne.
- A sério??? Ena, não teria conseguido chegar lá sozinha...
- Sabes, isto são muitos anos de experiência. Não é para qualquer um.
- Pois...

Enfim, ás vezes pergunto-me porque casei. Mas lá lhe consegui, a muito custo, "roubar" a receita e fui para a cozinha.

Para primeira vez, acho que ficou muito bom. Penso que exagerei um pouco no picante, mas eu gosto assim e ele também. Quem for mais sensível, aconselho a não por nem a pimenta cayenne nem o molho chili. A malagueta já é picante q.b.

E foi este o resultado. Espero que gostem.



500g de carne picada
2 Chalotas
1 Pimento vermelho
1 Pimento amarelo
1 Malagueta vermelha seca
Azeite q.b.
5 dentes de alho
5 dl caldo de carne
1 folha de louro
1 colher chá de cominhos
Pimenta Cayenne a gosto
Molho chili extra picante a gosto
1 embalagem de 500grs de feijão preto
2 colheres de farinha maisena
1 dl de leite de coco


Demolhe o feijão em água durante 24h. Depois coza-o em água sem sal. Reserve.

Também pode usar feijão de lata, evidentemente. Assim, dá um pouco mais de trabalho, mas sabe muito melhor.

Leve o azeite a aquecer numa frigideira. Quando estiver quente, introduza as cebolas e os alhos picados, bem como os pimentos fatiados. Deixe refogar.

Quando as cebolas estiverem alouradas, introduza a carne picada. Deixe cozer.

Pique a malagueta inteira com as sementes. Adicione-a, juntamente com os cominhos, a pimenta cayenne e o molho chili, á carne. Envolva bem.

Adicione o caldo de carne e deixe cozer em lume brando. Quando a carne estiver pronta, adicionar o feijão e a farinha maisena dissolvida no leite de coco. Deixe cozer até o molho engrossar e sirva bem quente.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Almondegas á Portuguesa com Panados de Couve-flor

Esta receita foi daquelas que saiu no momento e que ficou uma delicia. Havia uma promoção de carne picada no AH, 2,50€ o Kg, e pensei logo em fazer umas almôndegas.

Só que não sabia com que acompanhar. A ideia dos panados de couve-flor foi do meu marido. Lembrou-se assim, de repente.

- E que tal uns panados de couve-flor??? Depois pegas nos talos e nas folhas e fazes um molho a dar para o creme para acompanhar.

A ideia não pareceu má de todo. Pusemos mão á obra e saiu isto.

Espero que gostem.




Ingredientes para as almôndegas:

600grs de carne de vaca picada
5 alhos
1 tigela de azeitonas
1 molho de salsa
Pimenta q.b.
Sal q.b.
Noz moscada q.b.
8 fatias de pão de forma
1 ½ caneca de leite
3 ovos

Modo de Confecção:

Pique os alhos, as azeitonas e a salsa.

Numa tigela, envolva-os bem com a carne. Tempere com sal, pimenta e noz moscada.

Demolhe o pão no leite morno. Retire o pão do leite e envolva com o preparado da carne.

Adicione 3 ovos e envolva bem até obter uma bola homogénea.

Depois, molde bolinhas e reserve.

Ingredientes para o molho:

Azeite
1 Cebola
3 alhos
1 folha de louro
1 dl de vinho branco
1 lata de tomate pelado

Modo de Confecção:

Pique a cebola e os alhos. Leve-os e refogar em azeite e adicione uma folha de louro.

Quando as cebolas estiverem lourinha, adicione o vinho e deixe suar durante 2mins.

Adicione o tomate e deixe cozer 5mins. Depois, adicione as almôndegas e tape o tacho. Vire as almôndegas de quando em vez para ficarem bem cozidas, mas também para não pegarem. Deixe cozer durante 15mins.

Quando estiverem prontas, reserve.

Ingredientes para os panados:

1/2 couve-flor
1 ovo
Farinha q.b.
Pão ralado q.b.

Modo de Confecção:

Leve a couve-flor a cozer com um fio de azeite e sal q.b. Depois de cozida, escorra bem, retire todos os talos assim como as folhas. Reserve-os e parta a couve em florzinhas.

Disponha a farinha, o ovo batido e o pão ralado em tigelas.

Passe as florzinhas por farinha, depois por ovo e finalmente por pão ralado.

Leve a fritar em óleo bem quente e reserve.

Ingredientes para o creme:

Os talos e as folhas da couve-flor
Noz moscada
Pimenta q.b.
Raspa de limão q.b.
2 colheres de sopa de farinha maizena
½ litro de leite
Leite de coco q.b.
1 colher de sopa de manteiga

Modo de Confecção:

Desfaça os talos e as folhas da couve no leite com a varinha mágica. Junte ainda a farinha maizena e misture bem com a varinha até atingir a homogeneidade.

Tempere de sal, pimenta e noz moscada. Junte a casca de limão ao creme. Junte a manteiga e o leite de côco.

Leve ao lume e deixe engrossar, mexendo sempre com a colher de pau, para não pegar ao fundo e não criar grumos.

Quando o creme estiver grossinho, apague o lume.

Sirva-o bem quentinho.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Arroz Pilau com Pasteis de Bacalhau

O arroz pilau é um prato típico indiano, que para alem de ser muito saboroso, é muito fácil e rápido de preparar.

A minha cara-metade tem andado divertido a tirar vídeos de culinária da internet e quase todos de comida indiana.

Achei que este tinha muito bom aspecto e resolvi fazê-lo. Ficou com um aspecto ligeiramente diferente, mas muito saboroso. Podem ver o original aqui.

Acompanhamos com uns pasteizinhos de bacalhau que eu fiz a semana passada e congelei. Podem ver a receita aqui.

Parece uma relação pouco convencional, porque este arroz é mais indicado para acompanhar carnes, mas resultou bem.

Mais uma vez, o meu homem armou-se em chef. Ainda lhe falta qualquer coisinha, mas está no bom caminho.

Espero que gostem.


Ingredientes:

250 gr de arroz basmati
125g de caju
Azeite q.b.
4 Cravos da índia
2 sementes de cardamomo
1 pau de canela
1 Colher de chá de sementes de cominho
6 chalotas pequenas
125g de passas
125g de alperces secos
1 colher de chá de curcuma
1 colher de chá de açafrão
Sal

Modo de Confecção:

Primeiro leve ao lume um tacho com água. Quando estiver a ferver, adicione o açafrão e deixe ferver durante uns 5mins..

Lave o arroz com água abundante para retirar a goma.

Numa panela, leve a aquecer o azeite. Adicione o caju, a canela, o cravo da índia, o cardamomo e as sementes de cominhos. Deixe fritar por 2 min.

Adicione as chalotas cortadas em fatias finas. Envolva bem e deixe cozinhar até ficarem lourinhas.

Adicione as passas e os alperces secos picados e envolva bem. Vá mexendo durante 2 min.

Adicione o arroz e envolva bem. Adicione a água com o açafrão. Envolva bem, tape o tacho, baixe o lume e deixe o arroz cozer durante 15mins.

Quando a água tiver sido totalmente absorvida, está pronto.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Feijoada á Moda da Tia Maria

Este Sábado, tivemos visitas. A semana passada, conheci um casal de portugueses na aula de holandês.

Arranjámos logo maneira de irmos todos juntos para os copos a semana passada e como os dois homens desta saída a quatro eram informáticos, não lhes faltou tema de conversa a noite toda.

No Sábado, ele ofereceu-se para arranjar o meu portátil e passou o dia lá em casa agarrado ao dito.

Não ia deixar o moço lá em casa sem o alimentar. O meu marido disse logo que ia inventar uma feijoada com ingredientes holandeses

- Olha lá, vou preparar o almoço. Estou a pensar fazer uma Feijoada. Qué que dizes???
- Não me está muito a apetecer, eu já trinquei qualquer coisa em casa.
- Já trincaste qualquer coisa??? Mas estás a gozar comigo??? Estás em minha casa, vais comer comigo e ai de ti se dizes que não.
- Bem, tá bem. Já que pões as coisas nesses termos.
- Ah pois, que em minha casa ninguém passa fome.

Felizmente que o nosso compatriota é bem-disposto como o meu marido.

Nem foi preciso ir ás compras. Tinha os ingredientes todos em casa, comprei a semana passada um chouriço holandês, tipo chouriço de sangue, que, diga-se de passagem, era muito bom, e um toucinho entremeado que quase parecia o nosso.

Deixei o marido entretido na cozinha, o nosso convidado agarrado ao portátil, e aproveitei para dar um jeito na casa. A convidada só vinha mais tarde porque tinha que trabalhar.

E o resultado foi este. Ficou mesmo boa, se tivesse ingredientes portugueses, nem imagino.

E mais uma vez, o meu marido anda armado em chef. Claro que esta apresentação foi só mesmo para a fotografia, depois meti comida a sério no prato.

Espero que gostem. Os meus convidados adoraram.



E é claro que não podia faltar o arrozinho.


Ingredientes:

2 Cebolas
1 Pimento
1 Endivia
1 Couve chinesa
2 Talos de aipo

2 Chouriços de carne
Toucinho entremeado
2 peitos de frango
4 entremeadas

1 Lata de tomate pelado
2 Latas de feijão branco
1 Lata de cenourinhas

1 dl de vinho branco
Azeite q.b.

Noz moscada
Manjericão
Oregãos
Coentros
Chili picante

Modo de Confecção:

Pique as cebolas, limpe o pimento de sementes e corte-os em tirinhas, corte a endivia e a couve chinesa em juliana e corte o aipo em rodelas finas.

Numa panela, coza todas as carnes com um pouco de sal. Depois de cozidas, reserve o caldo e corte os chouriço os rodelas, fatie o toucinho, os peitos de frango e as entremeadas. Reserve.

Refogue as cebolas em azeite até ficarem lourinhas. Adicione então o vinho branco e deixe suar.

Adicione o tomate, a noz moscada, o manjericão, os oregãos, os coentros picados e o chili picante a gosto. Envolva bem e deixe cozinhar 5 min.

Adicione o caldo da cozedura das carnes e adicione o pimento, a endivia, a couve chinesa e o aipo.

Quando os vegetais estiverem al dente, adicione as carnes, o feijão e as cenourinhas.

Deixe cozinhar mais uns 5 min. Sirva bem quentinho com um arroz branco.

Quando o arroz estiver cozido, adicione uma noz de manteiga e um pouco de leite de coco e deixe cozer até a manteiga derreter. O arroz fica macio e muito saboroso.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Galinha Tikka Masala

O nome desta receita faz lembrar de imediato cozinha indiana, mas o que é certo é que há quem diga que esta receita teve origem em Glasgow.

Também há quem diga que é uma variante de Mughlai, uma cozinha típica do sul da Ásia.

Seja como for, é muito bom. O meu marido lá descobriu um vídeo a ensinar como fazer esta receita.

Desta vez, foi ele que cozinhou e posso garantir-vos que ficou mesmo muito bom.

Para além disso, ultimamente temos visto muitos programas de culinária e ele anda armado em chef.

E ainda bem, porque está a ficar realmente muito bom. E quando eu o conheci, fazer ovos cozidos era para ele uma ciência desconhecida.




Já eu, quero é comer, portanto hoje não estou muito preocupada com a apresentação. Espero que gostem, eu adorei. Até repeti e tudo.


Ingredientes:

3 peitos de frango
Óleo vegetal q.b.
5 sementes de cardamomo
1 pau de canela
2 cebolas
2 colheres de chá gengibre picado
2 colheres de chá de alho picado
1 colher de chá de cominhos
1 colher de chá de coentros em pó
1 colher de chá de Açafrão-da-Índia (Curcuma longa)
Pimenta cayenne a gosto
1 colher de chá de colorau
1 colher de chá de garam masala
1 lata de tomate pelado com sabor a manjericão
1 colher de chá de pasta de tomate
Sal
1 Iogurte natural
Coentros frescos

Modo de Confecção:

Primeiro picam-se as cebolas. Reservam-se.

Cortam-se os peitos de frangos em cubos. Temperam-se com sal e e reservam-se.

Numa tigela, misture o gengibre, o alho, os cominhos, os coentros em pó, o açafrão da Índia, a pimenta cayenne, o colorau e a garam masala e reserve.

Leve uma frigideira ou wok ao lume com o óleo vegetal. Quando estiver quente, adicione as sementes de cardamomo e o pau de canela. Ao fim de um minuto, retire-os.

Este passo serve para dar sabor ao óleo, para além de ficar com uma aroma óptimo.

Depois, leve as cebolas ao lume no mesmo óleo. Deixe cozinhar até estarem lourinhas.

Adicione a mistura de especiarias. Misture bem. Deixe cozinhar uns minutos.

Adicione o tomate pelado e a pasta de tomate e misture bem.

Adicione água que baste e deixe cozinhar em lume brando 5 min. Rectifique de sal, se necessário.

Adicione o frango. Misture bem e deixe cozinhar por 10 min em lume brando até o frango estar tenro.

Depois, adicione o iogurte e misture bem. Deixe o molho reduzir um pouco. O molho é suposto ficar bem espesso.

Deixe cozinhar mais 5 min e sirva bem quente.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Rolinhos de Frango com Bacon e Salada Quente de Cuscuz e Tomate

E ontem nem eu nem o meu marido estávamos com muita vontade de fazer comida. Chegámos a casa da aula de Holandês quase ás 10h da noite e estávamos mesmo era com vontade de cama.

Mas eu estava a apetecer-me comer, e vai dai, enchi-me de coragem e fui para a cozinha.

As ideias começaram a vir, o meu marido teve a ideia da salada e o resultado final foi este.

Claro que acabámos por jantar quase ás 11h da noite e depois foi um caso sério para dormir, mas ao menos consolei-me.





Ingredientes:

1 peito de frango
Azeitonas q.b.
Bacon fatiado q.b.
Manteiga q.b.
Cebolinho q.b.
Alho em pó q.b.
Sal q.b.
Pão ralado q.b.
Palitos q.b.

Modo de Confecção:

Corte o peito de frango em fatias bem fininhas. Tempere as fatias dos dois lados com sal, alho em pó, cebolinho cortado e pão ralado.

Coloque por baixo da fatia de frango 1 fatia de bacon, e por cima azeitona ralada. Faça um rolinho com a azeitona por dentro. Coloque um palito, de lado a lado, para segurar. Repita o processo com as restantes fatias de frango.

Numa frigideira larga frite os rolinhos em manteiga. Deixe cozinhar em lume brando e vire de quando em vez.

Quando o frango já estiver bem frito, retire-o do lume.

Ao molho adicione as restantes azeitonas raladas. Apague o lume.

Sirva os rolinhos com o seu molho e acompanhe com uma salada quente de cuscuz e tomate.

Bom apetite.
A Tia Maria

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Gnocchi com Molho de Salsicha Fresca e Cogumelos

Há algum tempo atrás, andava eu pesquisar na net algumas receitas típicas para experimentar quando encontrei esta receita de gnocchis.

Já foi há bastante tempo, mas fiquei com curiosidade de experimentar. Acabei por fazer gnocchis ontem, mas não segui esta receita.

O meu marido lá desencantou no youtube uns vídeos onde se ensinam a fazer gnocchis de maneira tradicional com um molho de salsicha e cogumelos porcini e foi por ai que nos orientámos.

Eu fiz os gnocchis e ele fez o molho. Eu segui a receita á risca, agora que já percebi a arte, já me vou aventurar a fazer diferente, ele foi ele próprio e lá se pôs a inventar um molho, embora tendo por base o da receita.

Acho que para primeira vez não ficou nada mal. Tinha algum receio do molho do meu marido, depois de ver o que ele estava a fazer, mas, como de costume, ficou muito bom.

Ficou a faltar queijo ralado por cima para dar aquele ar de vero italiano, mas não tinha e não me apeteceu ir ás compras de propósito.



Ingredientes para os Gnochis:

1Kg de batatas
1 ovo
300grs de farinha
Sal q.b.
Pimenta.q.b.

Modo de Confecção:

Coza as batatas em água com uma pitada de sal. Quando as batatas estiverem cozidas, retire-as do lume e retire-lhe a casca.

Desfaça as batatas como para fazer puré. Adicione o ovo, a farinha, uma pitada de sal e uma pitada de pimenta.

Trabalhe a massa até obter uma bola. Agora vamos fazer os gnochis propriamente ditos.

Corte um bocado da massa e estenda-a, formando um rolo, com mais ou menos um dedo de altura. Corte bocados de +- 2cms.

Repita o processo para a restante massa. Os gnochis que não forem usados podem ser congelados para uso posterior.

Ponha os gnochis a cozer em água a ferver. Quando vierem ao de cima, estão prontos.

Ingredientes para o molho:

Azeite q.b.
Vinagre de Estragão q.b.
1 Cebola
5 Alhos
1 Pimento
Cogumelos q.b.
Hortelã q.b.
Cebolinho q.b.
Coentros q.b.
Salsa q.b.
Tomate seco q.b.
Picante Sambal Oelek q.b.
Noz Moscada q.b.

4 Salchichas frescas
Sal q.b.

1 Cálice de Frangélico
Leite de coco q.b.
Kwark q.b.
1 Lata de ananás
Sumo de limão q.b
Azeitonas q.b.

Modo de Confecção:

Pique a cebola, os alhos, a hortelã, o cebolinho, os coentros, a salsa e o tomate Seco. Fatie o pimento e os cogumelos.

Numa Wok, adicione o azeite, o vinagre, o picante e a noz moscada. Leve todos os ingredientes do passo anterior a refogar.

Quando as cebolas estiverem translúcidas, adicione as salsichas desfeitas em bocadinhos e um pouco de sal.

Quando as salsichas estiverem cozidas, adicione o cálice de Frangélico, o leite de coco, o kwark, que foi entretanto desfeito numa tigela com água, o ananaz cortado em cubinhos mais a calda, o sumo de limão e as azeitonas.

Deixe cozer 10mins em lume brando e depois adicione os gnochis, q.b por pessoa.

Sirva bem quente e polvilhe com queijo ralado.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Caldeirada á Moda da Tia Maria

E não sabendo eu o que fazer ontem para o jantar, eis que o meu marido sugere

- Andava mesmo com vontade de comer uma caldeirada.
- Caldeirada?? Mas com que peixe?? Aqui não há raia, nem safio, nem nada daquilo que a gente gosta.
- E depois?? Inventa. Já inventaste com aquele hambúrguer com molho de chocolate e aquilo ficou bom.
- Bem, vou ver o que consigo fazer.

Lá fui ao frigorífico ver o que havia e o meu marido lá foi dando umas dicas, que o pai dele tinha lá uns amigos da caça e que um deles fazia uma caldeirada deliciosa e que a única coisa que fazia era por todos os ingredientes em camadas numa panela e depois deixar cozer e pronto.

Eu já fiz caldeirada antes, mas tinha o "nosso" peixinho á mão. Então resolvi usar bacalhau, salmão e atum, que era o que tinha e fiz como o amigo do meu sogro faz. E não é que ficou bom??

Digam lá que não tem um aspecto fantástico??? Ás vezes, não é preciso complicar para fazer comida saborosa.

Espero que gostem.




Ingredientes:

1 posta de bacalhau
1 posta de salmao
1 posta de atum
2 cebolas
5 alhos
1 pimento
10 batatas médias
Hortelã q.b.
Coentros q.b.
1 dl. Azeite
2 dl. Vinho branco
1 lata de polpa de tomate com manjericão
1 colher de colorau
Pimenta branca q.b.
Pimenta preta q.b.
Sal q.b.

Modo de Confecção:

Primeiro, há que preparar todos os ingredientes. Tirar as espinhas e peles ao peixe e corte-o em lombos, depois descasque as batatas e corte-las em rodelas finas, descasque e pique as cebolas e os alhos, limpe o pimento de sementes e corte-lo em tiras.

Num copo medidor, adicione o azeite, o vinho, o colorau, as pimentas, o sal e a polpa de tomate e mexa muito bem.

Agora, está na hora de começar a trabalhar. Numa panela, disponha todos os ingredientes por camadas.

Primeiro uma camada com metade das cebolas, alhos e pimento, depois uma camada com metade do peixe e, por fim, uma outra com metade das batatas, e por cima, ponha a hortelã.

Deitamos todo o conteúdo do copo misturador sobre o preparado anterior. Repetimos o processo com os restantes ingredientes. Acrescentamos água se necessário.

Tape o tacho e deixe cozer em lume brando até as batatas estarem cozidas. Vá mexendo de vez em quando para não pegar.

Antes de servir, pique os coentros e espalhe por cima.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

sábado, 3 de outubro de 2009

Hamburger Com Molho de Chocolate

E depois de ontem ter feito um Hamburger com molho de algas, alperces e framboesas, hoje deu-me para isto. Não ficou uma receita tao elaborada, mas igualmente saborosa.

Até o meu marido, que é um pouco doido a cozinhar, fez cara feia só de pensar. Bem, tenho que confessar que até eu fiz cara feia.

- Molho de chocolate num hamburguer???? Bem, prontos, quer-se dizer, as algas com framboesas ontem ficaram boas. Olha, experimenta, que eu entretanto vou comprar umas pastilhas rennie, just in case.
- Que gracinha, sei lá.

Mas não era por isso que ia deixar de experimentar. E em boa hora o fiz porque ficou muito bom.

Aliás, acho que depois de um caldinho verde, foi o prato ideal.



Ingredientes para o hamburger:

2 hamburgers
1 folha de louro
Sal q.b.
1 alho picado
Óleo q.b.
Molho de piri-piri q.b.

Modo de Confecção:

Frite o hamburger em óleo com a folha de louro, um pouco de sal (menos do que é costume pôr), uma pitada de molho de piripiri e um alho picado em lume brando.

Ingredientes para o molho:

Óleo q.b.
2 ou 3 colheres de sopa de doce de limão
2 colheres de sopa de Licor Frangélico
1 quadradinho de chocolate

Modo de Confecção:

Derreta o chocolate no óleo. Deite o doce de limão e adicione ainda o Frangélico.

Sirva o molho sobre o hamburger. Deve ser consumido quentinho.

Acompanhe com batatinha frita e com Fat Bastard Rosé. Ou o que sobrou dele.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Hamburger Com Molho de Algas, Alperces e Framboesas

Realmente, é preciso ficar eu doente para o meu homem se decidir a cozinhar. Mas se, por um lado, não me soube nada bem estar de cama, por outro, a comidinha dele ficou muito boa.

Tao boa que me deu umas ideias bem interessantes para umas receitas novas. Sim, é verdade que algas e framboesas, á partida, não parece uma combinação muito boa, mas o resultado não podia ter sido melhor.

- Olha lá, qué que tás a fazer???
- Comidinha boa para ti...
- Qué comida vejo eu, não estou bem a ver onde é que foste buscar a parte da boa.
- Bem, já vais ver se é boa. Importas-te de ir por a mesa, sff??

E já com a mesa posta, foi esta comidinha boa que o meu marido comeu.




Como de costume, não achou grande coisa...


Ingredientes para o Hamburger:

2 hamburgers
Camarões q.b.
1 folha de louro
Sal q.b.
2 alhos picados
Óleo q.b.
Molho de piri-piri q.b.


Modo de Confecção do Hambuguer:

Frite o hamburger em óleo com a folha de louro, um pouco de sal (menos do que é costume pôr), uma pitada de molho de piripiri e um alho picado em lume brando.

Frite uns camarões em óleo com 1 alho picado.

Ingredientes para o Molho:

Algas secas q.b.
15 framboesas
4 alperces secos
Amêndoas q.b.
Óleo q.b.
Sumo de limão q.b.
Sumo de 1 laranja
3 colheres de sopa de Licor Frangélico
2 colheres de sopa de açúcar


Modo de Confecção do Molho:

Coloque as algas de molho 4 horas (mínimo) antes de as confeccionar. Eu costumo pô-las de molho na véspera e no frigorífico para não ter surpresas. Costumam durar alguns dias assim.

Numa frigideira larga, com um pouco de óleo, coloque as alperces, cortadas ao meio, as algas, as amêndoas e sumo de limão.

Junte em seguida as framboesas, o sumo de limão, o sumo de laranja e o açúcar. Por fim junte o licor Frangélico.

Quando os alperces estiverem macios, o molho está pronto.

Disponha o hamburguer no prato, coloque os camarões sobre este e, em seguida o molho por cima.

Faça uma salada com canónigos, tomate, alho picado, queijo feta, sultanas, pinhões,tomate seco e orégãos. Sirva-a dentro de meio pimento cozido e com uma colher de maionese por cima.

Frite batatas cortadas aos cubinhos e sirva dentro da casca de meia laranja.

Acompanhe com um Fat Bastard Rosé bem fresquinho.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Coq Au Vin Aldrabado

- Amorzinho??
- Sim??
- Estou a ficar constipada. Acho que tenho febre.
- Deixa ver. Sim, realmente estás um bocado quente. Olha, toma dois Ilvico e vai-te deitar que eu faço o jantar.

Bem, e aqui o Ti Maneli, que estava a pensar chegar a casa e ficar o resto da tarde refastelado no sofá a ver televisão, afinal vai ter que arregaçar as mangas e fazer-se ao jantar. Quer dizer, vai ter que fazer o jantar.

- Olha lá, o qué que estavas a pensar fazer??
- Ia fazer aquela receita do Coq au Vin que tinhas pedido. Era a receita da parte francesa da nossa viagem.
- Ok, entao vou eu fazê-la.

E prontos, a mulherzinha lá arranjou uma desculpa, boa, para nao fazer nenhum.

Ora bem, Coq au Vin. Se o meu francês não me engana, isto há-de ser frango ao vinho ou frango com vinho ou qualquer coisa parecida.

Vou bisbilhotar a net a ver se vejo como é que se faz esta coisa. Já venho.

....................

E prontos, cá estou eu de volta. Isto da net é um mundo maravilhoso. Afinal, não é muito complicado. Já vi umas quantas receitas. Agora vou fazer á minha maneira, mas não totalmente porque a receita que eu vi , pareceu-me realmente boa.

A receita não diz para o fazer, mas eu vou marinar o frango durante uma ou duas horas para lhe dar mais gosto. Por alguma razão, isto é uma receita de Coq au Vin Aldrabado, né???

Então, vamos a isto. Vou começar por cortar os peitos de frango em bifinhos bem pequeninos e fininhos, como se costuma ver nos restaurantes chineses.

Meus, de certeza que vocês já foram a um restaurante chinoca comer galinha com amêndoas. Portanto, não estejam cá com coisas, ah e tal, não estou bem a ver coméqué.

Já perceberam??? Prontos, então vamos lá marinar a coisa. Quer dizer, o frango, não é nada disso que estão a pensar, suas mentes badalhocas.

Então, numa tigela, ponham o frango e algum bacon a marinar com sal, pimenta, louro, rosmaninho seco, alhos bem picadinhos e vinho tinto, prai um litro deve dar. Podem usar vinho daquele baratuxo, mas de preferência, que não seja carrascao. Eu usei o que sobrou de um Partage de l'Argenteyre 2007.

Enquanto a coisa marina, vamos ver se a mulheri está melhor e vamos ver o OCC no Discovery Channel. Ainda um dia hei-de ter guito para mandar fazer uma mota áqueles malucos. A gente já fala, isto está mesmo bom hoje, tem gajas boas e tudo.

....................

Meus, a sérios, eu quero uma mota daquelas. Ok, ok, eu sei que ainda tenho que fazer o frango, deixem-se lá de coisas.

Agora vamos picar 3 cebolas bem picadinhas e vamos refogá-las em azeite. Atenção que não é afogá-las, não vale a pena encher o tacho de azeite.

Quando as cebolas estiverem lourinhas, juntem o frango e o bacon que estiveram nos entretantos a marinar e alho-francês ás rodelas. Não adicionem a marinada, OK?? Essa é para reservar porque vamos usar mais tarde. E não vale a pena discutirem, porque quem manda aqui sou eu.

Bem, por acaso, é a minha esposa, que o blog é dela, mas prontos, ela está na cama e eu agora posso fazer o que muito bem entender.

Continuando, quando o frango estiver já meio cozido, vamos adicionar a marinada e um pouco de leite de coco e deixamos cozinhar em lume brando.

Entretanto, laminamos uns cogumelos Shitake e adicionamos ao preparado anterior. Já vos disse que adoro cogumelos Shitake??

E para não estarem ai parados sem fazer nenhum, enquanto os cogumelos cozem, vamos dissolver duas colheres de farinha de milho numa tigela com água. Com jeitinho, para não formar grumos. Meus, eu não disse com jeitinho??? Bem, deixa estar, nada que uma varinha mágica não resolva.

Quando os cogumelos estiverem cozidos, adicionamos a farinha, um cálice de vinho do Porto e um cálice de Frangélico.

Epá, não façam essa cara, eu avisei-vos que esta receita era aldrabada. Eu sei, o original usa conhaque, mas não havia cá disso em casa, então usei o que tinha.

O vinho do Porto sobrou de quando a esposa esteve a fazer umas pêras bêbadas e o Frangélico compramos na Alemanha quando fomos visitar um amigo nosso, militar, que estava estacionado numa Base Militar perto da fronteira. Comprámos dentro da base e saiu baratissimo. Dá sempre jeito ter amigos destes.

Portanto, misturem tudo muito bem para a farinha se dissolver bem e deixem cozer mais uns minutos. Antes de servirem, polvilhem com salsa picada.

E prontos, cá está uma receita de Coq Au Vin meio aldrabada que ficou deliciosa. A mulherzinha até ficou logo boa da constipação e tudo.

Para companhar, fiz um arroz branco Basmati assim a dar para o malandrinho que ficou supimpa.

Sim, eu sei o que estão a pensar, e então o vinho, cuméqué??? Pois, já não tinha, acabei por beber suminho de frutos vermelhos. Fica pá próxima. E tambem nao tinha um pao Alentejano, que ia tao bem com aquele molhinho

E para terminar, logo hoje o raio da máquina fotográfica tinha que ficar sem pilhas. Nao há fotos para ninguém, só vos posso dizer que ficou muito bom. Vao lá experimentar, sff, OK???

Ah, já agora, os ingredientes usados foram estes.

2 peitos de frango
100 gr de bacon em cubos
Sal q.b.
Pimenta q.b
Salsa q.b.
1 folha de louro
Rosamaninho q.b.
5 dentes de alho
1 lt de vinho tinto
Azeite q.b.

3 cebolas
1 alho frances
Leite de coco q.b.

5 cogumelos shitake
2 colheres de sopa de farinha de milho
1 cálice de vinho do Porto
1 cálice de Frangélico

Bom Apetite.
O Ti Maneli.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Guisado de Frango com Ervilhas

Esta semana, parece que não vou fazer outra coisa senão comer frango. É que aquela embalagem em promoção tinha 10 peitos de frango.

Mas o frango é saudável e há imensas receitas para fazer. Posso ir até á China e fazer galinha com amendoas ou galinha agridoce, em vez do porco, posso ir a Franca e comer um Coq au Vin, que tem mesmo que ser a seguir, posso ir á India e fazer uma Chicken Tikka Masala, posso ir á Irlanda e fazer um Irish Chicken Stew, ou posso ir até ao nosso Portugalinho e fazer um sempre delicioso guisado.

E foi isso mesmo que eu fiz, um guisado de frango. É uma refeição económica, rica em vitaminas, com poucas calorias e muito saborosa.

Entretanto, o meu marido chegou do trabalho e trazia uma garrafa de vinho.

- Fui ao Ah, comprei isto.
- E "isto" é o que?
- É um Partage de l'Argenteyre 2007.
- E é bom?
- Sei lá, isso vou ver agora. E a paparoca, tá pronta??? Hoje trago uma fome de abade. Ena, cheira bem, o que é que andaste a inventar??
- É um guisado de frango com ervilhas.
- Guisado, assado, fritado, cozado, quero lá saber, com a fome que eu tenho, marcha tudo.

E realmente o vinho era bom e o guisado "marchou" todo.


Ingredientes:

1 frasco de ervilhas
2 peitos de frango
6 batatas
5 cenouras
1 beringela
1/2 courgete
2 cebolas
4 alhos
200 gr de cogumelos
Azeite q.b.
Polpa de tomate q.b.
Massa de piri-piri q.b.
1 ½ caldo knorr de frango ou carne


Modo de Confecção:

Pique a cebola e o alho e faça o refogado com azeite.

Corte o frango em bocados pequenos. E deite no refogado já lourinho. Deite o caldo knorr, uma pitada de massa de piri-piri e a polpa de tomate.

Corte as cenouras às rodelas, corte as batatas aos cubos, os cogumelos ao meio, beringela e courgete em rodelas e em seguida em quartos.

Deite tudo na panela e acrescente um pouco de água, não muita, apenas a necessária à cozedura.

Deixe cozer em lume brando. Quando tudo estiver bem cozido, sirva bem quente.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Bifinhos de Frango ao Molho de Cogumelos

O AH estava ontem com umas promoções muito boas. E no meio de tanta promoção, lá estavam umas embalagens de peito de frango baratissimas.

E agora, o que é que eu vou fazer com tanto frango??

- Ó amorzinho...
- Simmmmm???
- Não sei que faça para o jantar.
- Por mim, não vale a pena fazeres nada de especial. Eu ainda vou para as aulas de Holandês, lembras-te?
- Eu sei, mas vens sempre esfomeado.
- Olha, faz como eu, pronto. Inventa qualquer coisa.

E foi realmente o que eu fiz. E posso garantir-vos que saiu muito bem. E com um bom vinho a acompanhar, neste caso foi um Casillero del Diablo Cabernet Sauvignon, mais um maridao de olhos verdes, foi um jantar óptimo.

Espero que gostem.


Ingredientes:

2 peitos de frango
100grs de cogumelos
Queijo feta q.b.
Sumo de limão q.b.
Leite de côco q.b.
Azeite q.b.
3 dentes de alho
Piri-piri q.b.
Mostarda q.b.
Sal q.b.
1 folha de louro
Oregãos q.b.


Modo de Confecção:

Corte o peito do frango em bifinhos pequeninos.

Numa frigideira grande deite os alhos picados e um pouco de azeite. Deixe o azeite aquecer e junte os bifinhos de frango juntamente com a folha de louro, sal, piri-piri e um pouco de mostarda.

Deixe cozer em lume brando e mexa de quando em vez. Corte os cogumelos em lâminas e junte ao frango.

Quando estiver tudo já cozido deite o queijo feta em cubinhos. Quando o queijo estiver derretido junte o leite de coco e oregãos.

Sirva bem quentinho com arroz e esparregado. E um bom pão alentejano, porque este molhinho merece.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Rolinhos de Carne com Ameixa

A intenção ontem era fazer uma receita francesa, tipo coq au vin, ratatouille ou uma bouillabaisse, ou algo do género, uma vez que na nossa viagem a Portugal, passámos igualmente por Franca, mas vai ser a próxima.

As ameixas não são de Elvas, mas também ficaram muito saborosas. Foi daquelas receitas que me saiu completamente no momento.

Ontem deu-me para isto. E ficaram realmente deliciosos, estes rolinhos. O meu marido não gostou, portanto só comeu três...

Espero que gostem.


Ingredientes:

2 bifanas
Ameixas
1 cebola
Pesto q.b.
Alho seco q.b.
Tomate seco q.b.
Salsa q.b.
Sal q.b.
Leite de côco q.b.
Azeite q.b.
Vinho branco q.b.
Ameixas sem caroço q.b.
Cebolinho q.b.


Modo de Confecção:

Corte a carne em fatias finas e tempere com pesto verde, alho, tomate, noz moscada, sal e cebolinho migado.

Coloque 2 ameixas sobre a fatia e enrole-a. Repita o processo para os restantes fatias. Use fio de cozinha para manter os rolinhos inteiros.

Coloque os rolinhos num tacho com azeite e cebola cortada em fatias fininhas. Acrescente um pouco de vinho, leite de coco e água.

Pique um pouco de cebolinho e polvilhe os rolos. Pode adicionar mais ameixas no tacho, se quiser.

Tape o tacho e deixe cozer em lume brando. Sirva bem quentinho e acompanhe com puré de batata e um Sapo Arrogante.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Mexilhão à Belga

E depois da Holanda, fomos até á Bélgica. Em Bruges, comemos uns mexilhões que estavam uma maravilha.

É uma receita tipicamente Belga, mas que se encontra também na Holanda e em Franca. Devo dizer que desde que vim para a Holanda, que não faço outra coisa senão comer mexilhão.

Há umas semanas, fomos a Yerseke durante o Mosselendag ou Dia do Mexilhão, comer mexilhões. Uma dose enorme por 2€, ou melhor, por 4€, porque comi duas. Lá se vai a dieta...

E depois fomos passear pela cidade, fomos ver o mercado de rua, onde estava uma banca de um instituto da Universidade de Wageningen, o IMARES, onde conhecemos uma Alentejana de Beja que estava a tirar um Doutoramento em algo relacionado com viveiros, não perguntem o nome que não me lembro.

Ontem, no Hoogvliet, havia embalagens de 2kgs de mexilhões a 4,5€. Boa desculpa para fazer esta receita.

E ainda hei-de experimentar fazer mexilhões como se fazem as cadelinhas. Bem, mas estes ficaram muito bons.

Eet smakelijk, que é como quem diz, bom proveito.

Os actores principais


As frittes, que não são assim tão secundárias


A maionese com molho pesto. E não é que ficou óptimo.


Ingredientes:

2 kgs de mexilhão
1 cebola
5 dentes de alho
Alho francês q.b.
1 copo de vinho branco
Sumo de 1 limão
½ litro Leite
Sal q.b.
Salsa q.b.
Aipo q.b.
1 folha de louro
Tomate seco q.b.
Pimenta branca q.b.
Azeite q.b.


Modo de Confecção:

Coloque o mexilhão de molho para limpá-lo.

Os holandeses colocam o mexilhão numa mistura de água salgada misturada com leite. Assim aprendeu a minha irmã com a sogra dela, que é holandesa, e o resultado é que o mexilhão fica como manteiga de macio. E é assim que o tenho feito. Deixe-o de molho entre 2 a 3 horas.

Pique grosseiramente a cebola e o alho e com um pouco de azeite faça o refogado. Não deixe a cebola aloirar, só quebrar.

Coloque um pouco do refogado numa panela grande e reserve o restante. Adicione o mexilhão, um pouco de alho francês fatiado, a gosto (eu gosto de por cerca de ½ alho francês para esta porção).

E prossegue-se com o tempero com sal, louro, pimenta, um pouco de aipo, salsa picada e tomate seco. Deixe cozer de panela tapada.

Junte ao restante refogado um copo de vinho branco e deixe ferver. Passe com a varinha mágica.

Assim que comecem a abrir e regue com o molho de vinho e,em seguida, esprema sumo de 1 limão para cima. Retire do lume e sirva.

Sirva com batata frita e, evidentemente, maionese. Neste caso, para ser diferente,misturei a maionese com pesto verde.

Humm... lekker!

Bom Apetite.
A Tia Maria.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Bolas de Carne com Ovo

O prometido é devido e como tal, vou começar hoje com as receitas das regiões por onde passámos na nossa viagem a Portugal.

Da Holanda, ponto de partida, resolvi fazer umas bolas de carne com ovo. Aqui vêem-se muito bolas de carne, e as variantes são imensas.

Uma delas é esta, que o meu marido já me pedia, faz tempo, para lhe fazer.

Pois bem, assim que vi uma carne bem bonita à venda por um bom preço, peguei na covete que mais gostei e levei para casa.

Embora esta receita seja de origem alemã, é muito popular na Holanda, tendo sido já completamente adaptada.

É simples de fazer e é uma refeição muito agradável.

Claro que fiz à minha maneira, com um tempero muito português. Espero que gostem.



Ingredientes:

6 Ovos
500 gr carne picada
1 ½ cebola de tamanho médio
5 dentes de alho
1 lata de tomate
Pimenta preta q.b.
Noz moscada q.b.
Tomate seco q.b.
Salsa q.b.
Sal q.b.
Farinha de milho branca q.b.
Azeite q.b.


Modo de Confecção:

Coza 5 ovos, descasque-os e deixe arrefecer.

Pique 1 cebola, os dentes de alho e a salsa e adicione à carne. Tempere com sal, pimenta, tomate seco e noz moscada.

Bata o ovo restante numa tigela, adicione depois á carne e misture bem, à mão.

Polvilhe um pouco de farinha de milho para ligar os componentes e para ficar um preparado mais consistente.

Faça bolas com a carne envolvendo cada um dos ovos, conforme pode ver nas fotos. Passe as bolinhas por farinha. Reserve.

Num tacho largo, corte ½ cebola, deite um pouco de azeite e tomate cortado em bocados pequenos e leve ao lume.

Em seguida, introduza as bolas no tacho com algum cuidado, para não as desmanchar e deixe cozer em lume brando.

Acompanhe com massa.

Bom Apetite.
A Tia Maria.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Já fui a Portugal Parte VII - o relato possível de uma viagem feita sem o minímo planeamento

O pequeno-almoço da residencial era mesmo á Portuguesa, nem faltou umas carcaças. E o cafézinho, que saudades de um café Português.

Hoje o dia não ia ter grandes aventuras. Metemos-nos a caminho pela A23, e depois a A1 até Lisboa. Parámos na ES de Aveiras para dar de beber á nossa Suzukinha e para mais um café. Já vos disse que o café Português é um espectáculo???

Chegámos a Lisboa e ficámos em pânico com o trânsito. Agora percebo porque é que os estrangeiros dizem que nós conduzimos que nem maníacos. De qualquer maneira, viver numa cidade onde toda a gente anda de bicicleta e há pouco transito, deixou-nos algo destreinados para o trânsito Lisboeta.

Fomos até Cascais ter com o meu daddy e fomos almoçar com ele e a minha tia. Um almoço Português, filetes de pescada com arroz de tomate malandrinho e uma saladinha de alface e tomate, bem temperada. Estava 5* e deu para matar as saudades de comidinha Portuguesa.

E depois, fomos ao Santini comer um gelado. O meu marido nunca tinha comido gelados no Santini. Hoje ficou a saber o que perdeu estes anos todos.

E depois fomos namorar para a baía de Cascais.

- Estava aqui a pensar...
- Mau, tu quanto te pões a pensar, sabe Deus o que vai sair dai.
- E se fossemos ao Algarve ter com os meus pais e a minha irmã??? Ainda fazíamos uma prainha e comíamos umas sardinhas.
- Mas tu ainda queres andar mais de mota???
- Não, vamos no teu charuto.
- O meu Golf não é nenhum charuto, ouviste??? Gosto muito do meu carrinho.
- Tá bem, pronto, então vamos no teu Golf 1.4, modelo Charuto.

Se alguém estiver interessado num motard de olhos verdes, pode levá-lo...

E lá fomos nós até ao Algarve. Quer dizer, primeiro fomos de Cascais até á nossa casinha, deixar a mota e buscar o nosso carrinho.

Desta vez, fomos pela AE para experimentar. Vamos sempre pela nacional porque o €€€ da portagem dá para a gasolina, mas desta vez quisemos ver como era a AE. A paisagem era gira, mas o transito era quase nenhum. Uma AE daquelas sem transito deixa-nos a pensar que algo está mal...

- Era giro chegar ao Algarve e acontecer o mesmo que o ano passado, não achas???
- Estás a falar do que, exactamente??
- Daquilo com a minha mãe.
- Ah, isso, pois foi, foi muito giro.

Pois o que se passou e passa-se sempre é que o meu marido nunca diz aos pais quando vem a Portugal, ou melhor, ele diz. Mas diz que vai no dia 10 e chega no dia 8, e nunca ninguém está á espera dele. Estou para ver o dia em que dá uma coisinha aos pais dele.

Neste caso, a situação ocorreu o ano passado em Marco, metemos-nos a caminho de Portugal e fomos direitinhos para o Algarve. Toda a gente pensava que chegávamos dois dias depois.

E não é que quando íamos a chegar a Quarteira, a mãe do meu marido ia a atravessar a passadeira. Claro que ele acelerou para a “atropelar”. Haviam de ver a cara dela quando viu que era o filho. O meu marido adora fazer estas coisas, parece um puto.

E este ano aconteceu o mesmo, só que ia a família toda e não conseguimos “atropelar” ninguém. Enfim, é sempre bom ver o meu marido satisfeito com a família dele.

Claro que depois fomos jantar as ditas sardinhas, que estavam uma maravilha, bem gordinhas.

Foi um fim-de-semana para descansar da viagem, que, tenho que admitir, apesar de estar exausta, estou pronta para repetir, mas, de preferência, numa destas.

Ficámos em Portugal mais uns dias para eu ir ao médico e fazer uns exames de rotina. E voltámos, só porque o meu marido ia começar um emprego novo. Final perfeito para uma viagem quase perfeita.

Recomendo a fazerem uma aventura destas pelos menos uma vez por ano para manter a sanidade mental.

E agora, vou experimentar fazer umas receitas típicas das regiões por onde passámos. Não percam os próximos episódios.

A Tia Maria.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Já fui a Portugal Parte VI - o relato possível de uma viagem feita sem o minímo planeamento

Realmente, Madrid é muito bonita, nao há duvida. É pena nao termos visto mais. Estávamos a ficar sem tempo, pois tinhamos compromissos em Portugal, mas fomos até á Puerta del Sol e até á avenida Paseo de la Castellana, onde está o estádio Santiago Barnabéu. O meu marido era para ter vindo trabalhar para aqui há uns anos, mas a empresa faliu com o 9/11.

Andámos a passear por estas bandas simplesmente a apreciar as vistas, e o meu marido sempre a olhar para as vistas erradas.

Era por volta das 11h quando resolvemos arrancar para Lisboa. Tinhamos que chegar até Domingo porque segunda tinha uma consulta marcada no neurologista.

- Por onde é que vamos agora para Lisboa??
- Bem, o normal é apanhar a AE para Badajoz, depois, já emPortugal, a A6, e depois A2 até Almada, mas eu nao queria fazer isso. Vamos apanhar a primeira AE que virmos e depois, vamos ver onde é que vai dar.
- Estás a brincar, nao estás??
- Quer-se dizer, a modos e tal que não. Isto não é suposto ser uma aventura???
- Mas tanta aventura é demais.
- Deixa-te de mariquices, e anda lá. Achas que eu te levava para maus caminhos???

É melhor não responder...

Bem, e lá fui eu. Mas como é que ele me convence sempre a fazer estas coisas?????

Acabámos por entrar na A6 a caminho de sabe Deus para onde. Algures depois de muitos Km’s, aparece a indicação de portagem no túnel a seguir, e o meu marido não perde tempo, sai na primeira saída para a nacional.

Fomos andando até que ele pára.

- Sabes que mais??
- Quê?
- Estou com a ligeira sensação que estou perdido.
- E se ligasses o GPS??
- Epá, não me está a apetecer, é mesmo á aventura, vamos beber um café solo, e depois já pensamos melhor.

Parámos num café cheio de camionistas Espanhóis com proeminentes barrigas e um ar algo descuidado.

Sentámos-nos e pedimos “dos café solo”, isto para não nos servirem uma meia-de-leite, que é como os nuestros Hermanos gostam de beber café. O meu homem lá foi perguntar ao balcão qual era a melhor maneira de ir dali para Portugal e se havia algum sitio giro para visitar.

O Espanhol do balcão tinha um vozeirão que se ouvia a um Km. Entao o melhor era irmos até Ávila, uma cidade fortificada a uns 50Kms dali e depois ir para Ciudad Rodrigo.

- Ouviste o que o espanhuelo disse??
- Era difícil não ouvir , com aquele vozeirão.
- É capaz de ser giro. Nao estou é com muita vontade de ir a Ciudad Rodrigo, deve haver maneira de irmos mais depressa. É que assim, estamos a ir ainda mais para cima.
- Não querias aventura e não sei que?? Agora aguenta-te.
- Vou-me aguentar é com aquela tortilla de patatas que está ali a rir-se para mim. Queres uma também?
- Bem, já que insistes...

Se há coisa que os espanhóis fazem bem, são tortilhas. Que maravilha. Tenho que experimentar quando voltar para casa.

Já com o estômago bem acochegado, lá voltámos a caminho para Ávila. Passado poucos Kms, tivemos que parar para dar de comer á nossa Suzukinha. Também tem direiro, tadita.

O espanhol da ES veio meter conversa connosco enquanto o meu marido atestava a mota.

- Vocês são Portugueses??
-Somos, pois.
- A minha esposa tambem é Portuguesa, e uma das nossas filhas nasceu em Portugal, a mãe insistiu.
- A sério?? Que giro.

Bem, era só para atestar a mota, acabámos por ficar a ouvir o Espanhol contar a história da vida dele. Mas foi interessante, sem dúvida.

Lá nos conseguimos despedir a muito custo e rumámos a Ávila. E o meu homem pára novamente.

- Deixa-me adivinhar, estás perdido novamente.
- Bem, técnicamente, não estou perdido, sei que estou em Espanha.
- Que piadinha, sei lá.
- Olha, vou peguntar áquele gajo que vai ali de mota. Agarra-te.

E lá fomos nós atrás de um “gajo que ia ali de mota”. Lá o alcançamos e pedimos para ele parar. Lá tentámos perguntar-lhe o caminho para Ávila, mas o espanhol dele não era muito convincente.

- Olha lá, tu não és Espanhol, pois nao??
- Não, sou Escocês, vivo ali em baixo.
- Ah, então vamos falar Inglês que é melhor.

Remédio santo, o homem já não se calou. Lá nos indicou o caminho certo, ficámos a saber que tinha decidido ir viver para ali porque havia sempre Sol e os Espanhóis eram simpáticos. Não percebi muito bem esta ultima parte...

Finalmente, chegámos a Ávila, não há dúvida que é bonito e num estado de conservação irrepreensível. É pena não ter trazido a máquina fotográfica. Vou ter que fazer esta viagem toda de novo. Que chatice...

Mais um café solo, mais uma tortilla de patatas. E mais um passeio pela cidade. Vale a pena lá ir, digo-vos. Aliás, vale bem a pena ir passear por Espanha, tem zonas lindíssimas, mas fora das grandes cidades, é pena é darem tanto trabalho a descobrir.

Perguntámos a outro Espanhol como ir para Portugal sem ir pela AE, ele mandou-nos ir pela N110 até Plasencia, depois Coria e depois Portugal. E como nós somos bem mandados, lá fomos.

Passámos por uma zona montanhosa com umas curvas expectaculares, quando parámos mais á frente, o sorriso de orelha-a-orelha do meu marido dizia tudo, cheia de plantações de cerejas.

Parámos em Cabezuela del Valle, uma terreola perdida no meio de Espanha para mais um café e tortilha de patatas. Acabou por ser um café com cerejas. O dono do café era casado com uma Portuguesa e tinham uma filha e um filho, e ainda havia o irmão que era divorciado de uma Portuguesa. Ficou tão contente de nos ver que nos ofereceu um alguidar de cerejas.

Esta viagem ficou marcada por toda uma série de coincidências engraçadas. Mas tem piada que as vezes que fizemos esta viagem de carro, não nos aconteceu nada destas coisas.

O resto da viagem por hoje não tem muita história. Quando chegámos a Plasencia, virámos para Coria e depois entrámos em Portugal por Monfortinho, parámos numa terreola para beber finalmente um café a sério. Acabámos por entrar numa tasca cheia de homens, eu era a única mulher, e nunca me senti tão despida na vida, e o meu marido só ria.

Estava tão cansada que lhe pedi para irmos para Lisboa só no dia seguinte. Acabámos por ir dormir em Castelo Branco numa residencial em conta, 40€, mas com uma casa de banho que parecia saída de um filme dos anos 50. Limpinha, com águinha quentinha, mas completamente demodé.

Depois de um banhinho para retemperar forças, sempre foram á volta de 450Kms, fomos tratar do jantarinho. Comemos uns panados de frango com uma sopinha caseira de legumes numa tasca perto da residencial, que souberam a pouco, mas áquela hora, já nos podiamos dar por contente porque não havia mais nada aberto.

Depois de vermos o jornal da noite, e de nos pormos a par das noticias, mais valia ter estado quieta, resolvemos que estava na altura de cair nos braços de Morfeu.

Mas estavam várias motas paradas á porta da residencial e o meu marido lá arranjou maneira de saber quem eram e, então, foi conversa até ás tantas.

Amanhã devemos chegar a Lisboa.

A Tia Maria.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Já fui a Portugal Parte V - o relato possível de uma viagem feita sem o minímo planeamento

Hoje o São Pedro não está do nosso lado, definitivamente. Não está a chover, mas o céu está cheio de nuvens e a prometer.

De qualquer maneira, decidimos ir ver um pouco de Bordéus. Não vimos muito, limitámos-nos a andar de mota pela cidade e a parar numa Patisserie para uns croissants e cafézinho.

É uma cidade muito bonita, sem dúvida. Merece um fim-de-semana inteiro para a ver como deve ser. Até porque é uma cidade Património da Humanidade e tem muito para ver. Mas como não podemos gastar muitos mais dias na viagem, porque temos compromissos em Portugal, fica a promessa de voltarmos.

Hoje chegámos a Madrid, 696Kms de viagem, mais coisa menos coisa. A viagem não teve grandes atractivos, tirando a passagem pelos Pirenéus, que é sempre magnifica, e a nossa aventura ao pequeno-almoço.

Então, parece que o meu marido ontem, enquanto verificava a mota, foi abordado por um moço a falar inglês, que estava a ter alguma dificuldade com o check-in electrónico do hotel e se ele não o poderia ajudar. Então, lá esteve ele, que está sempre disposto a ajudar os outros, a explicar ao moço como fazer o check-in.

Ora, estávamos nós no dia seguinte a tomar o nosso costumeiro pequeno-almoço quando o dito moço entra na cozinha e senta-se na mesa ao nosso lado. Passado, um bocado, levanta-se e vem ter connosco.

- Desculpem lá, mas vocês são Portugueses??
- Tu és Português??? Mas então para que é que estivemos a falar estrangeiro ontem??
- Epá, sabia lá, eu ontem só queria era conseguir um quarto.

Bem, fartámos-nos de rir com a situação. Ao que parece, o meu marido e este moço estiveram mais de ½ hora a falar inglês um com o outro. São as vicissitudes de se andar nesta vida de imigrante. E também o lado engraçado.

Conclusão, o nosso conterrâneo estava a viver na Escócia, e meteu-se a caminho de Portugal com um mapa imprimido a partir do Google Maps, mais nada. Este ainda é pior que nós. Mas lá o conseguimos orientar e ele lá foi a caminho.

Aconteceram-nos várias histórias destas pelo caminho.

Ainda em Franca, passámos por Cap Breton, Bayonne, Biarritz, onde ficámos a dormir quando viemos para a Holanda em Novembro de 2007, foi uma aventura daquelas, Saint-Jean-de-Luz.

Estava eu a dizer então que passámos pelos Pirenéus, já não é a primeira vez,mas desta vez adorei mesmo. As outras vezes, foram sempre já de noite e uma delas foi no meio de uma tempestade de neve, em que cheguei mesmo a ter medo de que nos acontecesse algo.

Desta vez, foi de dia com um sol radioso. Não há palavras para descrever aquelas paisagens, são mesmo de cortar a respiração. Aliás, não sei se era de ir de mota desta vez, mas parece que foi especial, não sei explicar.

Parámos algures para meter gasolina, a nossa suzukinha só leva 20lts da dita e a cada 250/300Kms, temos que parar e atestar. O basco da ES percebeu que éramos portugueses e meteu conversa connosco.

Então parece que os portugueses não são muito bem-vistos por aquelas partes. Ao que parece, as empresas de construção civil ficam com tudo quanto é projectos de construção porque fazem uns preços baixíssimos com que as empresas bascas não conseguem competir. Não sei bem porquê, mas achei preferível não me alongar em mais conversas.

Entretanto, o meu marido pôs-se a conversar com um casal Holandês que ia a caminho de Portugal onde têm uma casa no norte. É incrível que ao fim de seis meses de aulas, o meu marido fala Holandês com um á-vontade tal que parece que nunca fez outra coisa na vida.

Depois, fomos a San Sebastian, típico. Foi pena estarmos algo pressionados de tempo. O ano passado andámos 3 semanas a andar de mota por Franca, Bélgica, Alemanha, Luxemburgo e ainda alguma coisa da Holanda e tivemos tempo para ver tudo o que tínhamos planeado.

Mas haveremos de voltar com mais tempo.

Antes de chegarmos a Madrid, parámos para almoçar algures num restaurante atestado de camionistas. Pensámos logo que era o sítio ideal para comer, mas mudámos de ideias quando olhámos bem lá para dentro. Havia outro ao lado, portanto nem perdemos tempo a pensar nisso.

O engraçado desta paragem é que o restaurante ao lado era o mesmo onde tínhamos parado para almoçar da ultima vez que fizemos esta viagem. Foi uma coincidência gira, mas proveitosa, pois o restaurante era mesmo bom. 9€ por pessoa, refeição completa. E ainda dizem que não se come bem em Espanha.

Chegámos a Madrid por volta das 19h, parámos bem no centro e fomos logo á procura de onde tomar um cafézinho. Á falta de melhor, entrámos num Burguer King. Mais uma vez, deu-se mais uma coincidência gira.

Uma senhora venezuelana que estava na mesa ao lado da nossa, perguntou-nos se nós éramos portugueses.

- Vocês são portugueses??
- Sim, somos.
- Pois o meu marido também é português.

Conclusão, o marido da senhora era um Português que imigrou para a Venezuela há uns anos, casou com ela, e tinham dois filhos. Agora estavam de férias em Madrid.

Ainda ficámos um bocado á conversa, até que nos despedimos e fomos á procura de um hotel. Felizmente, o Etap de Madrid tinha quartos.

Depois de um banho retemperador, fomos ver as vistas e procurar onde comer. Mas chegámos á conclusão que não nos apetecia muito andar de um lado para o outro e acabámos por novamente ir ao Burguer King. Sempre é melhor que o Mac.

Amanha logo vamos ver um bocado de Madrid.

A Tia Maria

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Já fui a Portugal Parte IV - o relato possível de uma viagem feita sem o minímo planeamento

A viagem hoje não iria ter grandes atractivos. A intenção era chegar a Bordéus, a quase 600kms de Paris. O dia estava bonito, o sol estava bem quente e a viagem prometia ser algo entediante. Estava enganada.

Depois do costumeiro pequeno-almoço, sim, que eu não dispenso nunca, pusemos-nos a caminho. Ao fim de 200Kms, saímos da AE para meter gasolina. É que por estas paragens, a diferença de preço entre a ES da AE e da estrada nacional, chega a ser de 0,30€. O melhor sitio para abastecer é, quase sempre, os InterMarchés, os Auchans, os Leclercs e outros do género.

Voltámos á AE e eis que me deu uma vontade fisiológica de tal maneira que acabámos por ter que parar mesmo na ES da AE. Quando volto, vejo o meu marido ás gargalhadas com um grupo de sujeitos com todo o ar de camionistas tugas.

E eram realmente, eram 5 portugueses e um espanhol. Tinham vindo todos á Holanda buscar carne e legumes. E eu cá a pensar com os meus botoes como é que é possível que nós, que temos secretos de porco preto, carne mirandesa, barrosa, maronesa e por ai fora, importássemos carne da Holanda, isto sem falar nos legumes.

Acabámos por, entre conversas e cafés, passar mais de uma hora com os nossos conterrâneos. O meu marido estava contentissímo por poder ter “conversas de gajos”, seja lá o que isso for. Enfim, homens...

Pusemos-nos a caminho novamente e passado um bocado, saímos da AE. O meu marido parou depois das portagens para me explicar o que é que pretendia fazer.

- Olha lá, esta zona aqui é porreira pela nacional, tem umas curvas á maneira e depois, podemos comer aí numa terreola qualquer. Qué que me dizes??
- Mas nós não conhecemos esta zona.
- Não faz mal, a gente apresenta-se quando lá chegarmos.

Tipico do meu marido. E lá fomos nós á procura de umas “curvas á maneira”. Curvas havia muitas, nao há dúvida, mas a qualidade do alcatrao era por demais mázinha. Passado um bocado, lá o meu marido resolveu parar outra vez.

- Acho que isto não foi muito boa ideia...
- Achas??????
- Tenho a certeza. Que tal comermos algo e depois voltarmos para a AE??
- Acho que sim, que isto não está a ter piada nenhuma.

Parámos na primeira terreola que encontrámos, e era mesmo uma terreola, não havia nada aberto, nem sequer um Mac para desenrascar havia. Acabámos por ir parar a um bairro com muito mau aspecto onde encontrámos uma Patisserie aberta.

O restaurante ao lado tinha lá uns clientes algo duvidosos e o “sentido de aranha” do meu marido ficou logo em alerta, por isso fomos directos para a Patisserie.

Estávamos nós a decidir o que comer, patáti, patátá, e por ai fora, quando a senhora atrás do balcão se vira para nós e num Português com um sotaque algo afrancesado, nos pergunta se éramos portugueses.

Realmente, nós estamos mesmo em todo o lado. Então não é que numa terreola perdida nos confins de Franca, encontrámos uma portuguesa?? Então a senhora em questao tinha ido com os pais para Paris com 11 anos e depois foi parar aquela terreola porque casou com um francês que resolveu ir viver para ali. Entretanto, divorciou-se e só estava ali para fazer algum €€€ antes de regressar a Paris.

Lá ficámos mais uma hora á conversa até que nos pusemos novamente a caminho. Valha-nos o GPS, abençoado quem o inventou, senão ainda hoje andaríamos á procura da saída para a AE.

O resto da viagem atá Bordéus não tem muita história, mais umas paragens para gasolina, mais uns cafézinhos e lá acabámos por chegar a Bordéus. 600 Kms num dia é realmente um bocado demais, o meu traseiro que o diga, mas o meu marido estava ali como se não fosse nada com ele.

- Mas tu não estás cansado???
- Um bocadinho, nada demais.
- NADA DEMAIS??? Eu estou que nem posso e tu dizes nada demais????
- Ó amorzinho, tu não estás habituada a fazer tantos Kms, é normal. Eu já ando de mota desde 98 e com esta, já fiz mais de 160000Kms.
- Pois...
- E de qualquer maneira, ando a treinar para entrar para a IBA.
- IBA?? E isso é o que, é IVA á moda do norte??

Afinal, a IBA é a "Associação dos Gajos com Traseiro de Aço". E para se ser sócio, tem que se fazer 1000 Milhas em menos de 24h.

Eu começo realmente a achar que "os gajos das motas" são todos um bocado desregulados, o meu marido incluído. E eu não devo estar muito melhor...

- Ainda falta muito para o Hotel???
- Sei lá, ainda tenho que ver onde é ali no GPS.
- É que eu estou tão cansadinha que só quero ver a minha cama.
- Deixa-me lá acabar este café, e vamos já. Ora, o GPS diz que ainda faltam 200 Kms.
- 200kms???? O QUÊ?????
- Ah, enganei-me. Afinal, são só 2kms.

E depois ri-se. Não dá mesmo vontade de lhe bater????

Mas bato-lhe depois, agora só quero mesmo é ver uma caminha e uma banheira para tomar um banho.

Bem, já chegámos ao hotel. É o Premiere Classe de Lormont. É um hotel low-cost, custa 33€ por noite e tem o mínimo indispensável, mas é bastante confortável. Mais 8€ dos pequenos-almoços.

Depois de um banho que fez maravilhas, fomos á procura de onde comer. Andámos ás voltas e encontrámos um Mac aberto. Mas o meu marido não estava para ai virado.

- Depois de 600 Kms a conduzir, eu tenho que me alimentar como deve ser. Queres comer ai, porreiro, eu vou á procura de melhor.

A sério, eu bato-lhe, mas bato-lhe mesmo com vontade. Eu aqui cheia de fome e sua alteza agora armado em fino.

Mas ainda bem, porque acabámos por ir comer ao Buffalo Grill, uma Steak House onde comemos uns bifes com umas batatinhas fritas de comer e chorar por mais. Parece que vou ter que arranjar outra desculpa qualquer para lhe bater...

Já eram altas horas da noite quando resolvemos voltar para o hotel. O João pestana já estava de volta de mim e adormecer no carro com o marido a conduzir é uma coisa, na mota é totalmente diferente.

Tenho que admitir que, apesar de estar que nem posso, estou a gostar da viagem. Começo a perceber os "gajos das motas", realmente a tal sensação de liberdade que tanto falam é mesmo assim, mas não dá para explicar, só experimentando mesmo. E como tenho um condutor super cuidadoso, vou completamente á vontade atrás dele.

Chegámos ao hotel e fui direitinha para o quarto enquanto o meu marido ficou a verificar se estava tudo bem com a mota. Ele bem diz que "ah e tal, depois logo se vê", mas sempre que parávamos, lá ia ele ver o nível do óleo e por óleo na corrente.

Bem, já nao me apetece esperar mais por ele, estou que nem posso.

Vou dormir. Até amanha.

A Tia Maria